10 de dezembro de 2010

A doninha calou-se: Da Weasel chegam ao fim 17 anos depois

Construíram um percurso ímpar que os levou aos poucos ao panteão do hip-hop nacional. Ontem, para surpresa dos fãs, puseram um ponto final na carreira.

Costuma-se dizer que tudo tem um fim e o dos Da Weasel aconteceu ontem. Depois de 17 anos a trabalhar em conjunto, a banda que mais sucesso teve no panorama do hip-hop nacional e a quem muitos atribuem a sua máxima expressão anunciou no seu site oficial o fim do projecto.

"Acho surpreendente", disse ao PÚBLICO o radialista Henrique Amaro, que sempre acompanhou o percurso da banda de Almada desde a formação original até aos dias de hoje. "Eles tiveram muito sucesso, muitos concertos. Cinquenta por cento das vidas deles foram dedicados ao projecto e, por isso, as relações esgotam-se."

Em 2009, os Da Weasel já tinha anunciado que fariam uma pausa, depois de muitos anos de concertos e muitos álbuns editados. Hoje, seis álbuns - Dou-lhe com a Alma (1995), 3.º Capítulo (1997), Iniciação a uma Vida Banal - O Manual (1999), Podes Fugir Mas Não Te Podes Esconder (2001), Re-Definições (2004) e Amor, Escárnio e Maldizer (2007) -, um EP e dois DVD ao vivo depois, Pacman, João Nobre, Virgul, Pedro Quaresma, Guilherme Silva e DJ Glue seguem caminhos diferentes, abandonando o projecto iniciado em 1993.

No comunicado conjunto emitido ontem pela banda e pela EMI - músicos e editora estiveram indisponíveis para prestar declarações - não foram adiantados os pormenores da separação. "É como um divórcio", diz José Mariño, director da Antena 3. "Só que os Da Weasel deixam muitos órfãos."

Para Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, trata-se de "uma perda enorme para a música nacional". "Aquilo que eles fizeram nestes anos não é fácil fazer. Neste momento, não há ninguém no panorama nacional que consiga ocupar o lugar deles."

Os Da Weasel destacaram-se por uma sonoridade própria que aliava o hip-hop ao rock cantado em português e as suas músicas alcançaram várias vezes os tops de vendas nacionais. Desde God Bless Johnny - a música que os lançou -, passando por Dúia, Agora e para sempre (a paixão), Ressaca, Adivinha quem voltou, Dou-lhe com a alma, Todagente, Dialectos de ternura ou Tás na boa, os Da Weasel - "a doninha" - construíram aos poucos um percurso que os levou ao topo, arrastando atrás de si legiões de seguidores que faziam de cada concerto uma festa única e irrepetível.

Mas o fim da banda não significa o fim das carreiras para os seus elementos. Vários prosseguem caminhos em projectos paralelos, como João Nobre e Pedro Quaresma, nos Teratron, Pacman, n"Os Dias da Raiva, e Virgul, nos Nu Soul Family.

"Não me parece que a razão de terem acabado esteja nos novos projectos. Este é um final adequado ao perfil dos Da Weasel", diz Mariño. "É normal estarem entretidos com outras coisas, quererem experimentar aquilo que não podiam fazer nos Da Weasel", acrescenta Henrique Amaro, destacando o facto de a banda nunca ter caído na decadência. "Acabaram de forma digna."


Fonte: Ípsilon - Cláudia Carvalho

Priscila Andrade