28 de setembro de 2009

Xutos & Pontapés – até que enfim, um estádio

Na grande celebração dos 30 anos da maior banda portuguesa, o Estádio do Restelo encheu, sábado, para assistir a um dos mais importantes concertos do quinteto.

Mais de quarenta mil pessoas, dispersas pelas bancadas e pela relva, renderam-se ao espectáculo de cerca de três horas, por onde desfilaram muitos dos êxitos e temas emblemáticos de uma carreira cheia de música e de público. Hora e meia depois do previsto para o início do espectáculo, a entrada foi triunfal, com os músicos a avançarem por entre o público, numa plataforma suspensa. “Quem é quem”, single do novo álbum, foi o pontapé de saída para uma noite memorável. Logo de seguida, num claro começo ‘ao ataque’ da ‘equipa da casa’, “Não sou Jesus” e “Não sou o único” levaram ao rubro os milhares de fãs presentes no estádio.

Foi uma verdadeira viagem no tempo, com passagem pelas várias épocas que, ao longo destes 30 anos, marcaram a obra dos Xutos. O ‘homem do leme” foi Tim, o story teller de serviço que não deixou de contar algumas das histórias que acompanharam o nascimento dos temas trazidos ao palco. Zé Pedro também fez questão de, por várias vezes, agradecer ao público a força para atravessar três décadas de estrada. O guitarrista não se esqueceu de quem, pela primeira vez, assistiu a um concerto da banda.

Para ajudar à festa, foram convidadas quatro grandes figuras na música nacional. Camané, Packman (Da Weasel), Pedro Gonçalves (Dead Combo) e Manuel Paulo (Ala dos Namorados) acrescentaram ainda mais qualidade à noite do Restelo.

Apesar de tudo, foi curioso notar que, a despeito da enchente, o entusiasmo do público não foi claro e inequívoco, talvez fruto dos poucos momentos electrizantes durante o espectáculo, talvez pelo peso da idade, ou mesmo por um ganho de tranquilidade a ela inerente. Ouviram-se mais baladas do que temas daqueles que põem milhares aos saltos.

Contas feitas, foi uma digna e merecida festa de aniversário para os Xutos & Pontapés. Quem não esteve presente, recomenda-se que aguarde pela edição do DVD que irá perpetuar este que foi um momento ímpar nas vidas de Tim, Kalú, Zé Pedro, João Cabeleira e Guy.

Ruben Portinha, 2009/09/28, 01:07

11 de setembro de 2009

Coisas de final de Verão

Não é que o EP "Canções Perdidas" do João Coração não me sai do mp3 (e da cabeça)? E até está para download gratuito no myspace do moço. O que é bom, sempre vai ficando...

«Não me faças fazer blues, que o blues nem é português...»

E o português pode ser tão bonito.

Diana Guerra, 2009/09/11, 23:08

31 de agosto de 2009

Ana Moura – Foi um prazer ouvi-la


A contas com a tourné de Verão, a fadista Ana Moura passou este Domingo pelas Festas de Algueirão - Mem Martins, no concelho de Sintra, apresentando-se, a par de Luís Represas, como um dos nomes fortes do cartaz deste ano.

Centenas de pessoas responderam à chamada e estiveram presentes do lado de cá do palco, a ver, ouvir e aplaudir uma das referências da nova geração fadista.

O espectáculo começou ameno, criando a ilusão – apenas e só isso – de que a noite não estaria de feição para uma harmonia entre a artista e o público. Com o decorrer do espectáculo, numa alternância entre temas introspectivos e outros mais ‘picados’, Ana Moura acabou por conquistar a audiência, provando que o seu talento não é produto de estúdio.

O vestido da cantora – de lantejoulas – quando atingido pelas luzes de palco, fazia jus ao adjectivo que melhor define a actuação de Ana Moura e dos seus músicos: brilhante.



Num alinhamento com direito a encore, Ana Moura percorreu os três discos já editados, com tempo ainda para interpretar “No expectations”, um dos dois temas dos Rolling Stones que recentemente gravou, num disco de tributo à mítica banda rock. Não faltaram ainda alguns dos fados mais marcantes de sempre, aqueles em que a fadista teve um coro gigantesco a acompanhá-la: casos de “Canto o fado” e “A casa da Mariquinhas”, dois dos três temas tocados fora do alinhamento principal.

Depois de Algueirão - Mem Martins, segue-se Varsóvia, cidade polaca que terá a cantar para si uma voz inconfundível, como inconfundível é o fado – porque é único no mundo.

Ruben Portinha, 2009/08/31, 02:12
Fotos: Sónia Portinha

17 de agosto de 2009

Moniz e o PIB

É pouco discutível que Eduardo Moniz alterou o panorama televisivo português quando entrou para a TVI ainda no século passado, em dois grandes eixos: a aposta nos programas de realidade (e.g. Big Brother) e a aposta na ficção nacional (demasiadas novelas para mencionar).
Ele bem tentou a Informação, mas não correu bem.

Mas o que eu gostava de lançar com isco mental, é o que fez Moniz à música portuguesa?

A televisão e a música portuguesa nunca se deram bem, desde que me lembro. O Top+ bem tem tentado, mas a ideia de listas de música é ultrapassada e não faz sentido.

E para o caso de algum director de programas estar por aqui a ler (dúvido) deixo como sugestão: lançar aleatoriamente alguns vídeos de músicas ao longo da programação, como pequenas pérolas não esperadas. Aliás, este conceito é perfeitamente extensivel, a todas as curtas cinematográficas nacionais.

Mas voltando a Moniz. Com o aumento de ficção nacional veio também por tabela o aumento de música nacional. E não estou só a falar das bandas da casa como D'zrt e JustGirls, ou das canções rebuscadas para genéricos iniciais das novelas, mas do ímpeto que isso deu aos jovens artistas. É certo que Moniz não foi o único e fê-lo muito provavelmente sem intenção, outros actores estiveram em palco, como a grande popularidade da internet nesta década também teve o seu (bem) grande impacto.

Isto não pretende ser um estudo exaustivo, mas a ideia fica: num universo paralelo, sem Moniz na TVI, como seria o PIB musical actualmente?

Filipe Roque, 2009/08/17, 05:29

12 de agosto de 2009

José Cid ao vivo em Sernancelhe - A idade ainda o perdoa

A poucos meses de voltar ao Campo Pequeno, dois anos e meio depois da gravação do disco ao vivo, José Cid continua a dar espectáculo por esse país fora. Foi o que aconteceu, no Domingo, em Sernancelhe (Viseu).

Apresentado com toda a pompa e circunstância por parte da organização, perante alguns milhares de pessoas, Cid confirmou o porquê de ser um dos artistas mais influentes da música portuguesa - para o bem e para o mal.

Começou o espectáculo ao ataque, com um dos maiores êxitos da sua carreira, "Cai neve em Nova Iorque", logo seguido por "Recordar é viver". Daí até ao final, desfilaram no palco beirão todos os sons de uma carreira de sucesso. Em cerca de hora e meia de concerto, o artista conseguiu demonstrar as suas mais variadas facetas: da pop ao rock, do fado ao blues, da balada à música de baile. Espaço ainda para apresentar um novo tema, "A ilha dos piratas", que integra o álbum de originais, "Clube dos corações solitários do Capitão Cid".

E não foram os bem vividos 65 anos que o impediram de dar uns passinhos de dança, de fazer inveja a alguns presentes na plateia. Por falar em plateia, José Cid não se cansou de elogiar o público sernancelhense, referindo-se a este como um dos mais entusiastas que encontrou nesta tourné. Provavelmente, o discurso repetir-se-á noutros locais, mas ficam as gentes com o ego mais alto - e ajudam à festa.

Mas o que seria do "Capitão Cid" se não tivesse com ele a competência dos restantes elementos da banda? João Paulo (teclados e vocais), Manuel Marques (saxofone), Samuel (bateria), Pepe (contra-baixo), Tozé (trombone), Rúben Santos (trompete), Mike Sargent (guitarra) e Amadeu Magalhães (sopros), todos em grande forma.

No final do espectáculo, as opiniões foram bastante positivas. uma boa forma de encerrar as Festas da Amizade 2009, polvilhado com o célebre fogo de artifício. Quanto a José Cid, continua a ronda pelo país, até voltar a subir ao palco do Campo Pequeno, em Novembro.

Ruben Portinha, 2009/08/12, 18:52